sexta-feira, 26 de julho de 2013

BRASÃO

Vilar Chão - Património

Nota do editor:Foto retirada da net.
“ A quinze quilômetros da sede do concelho, Vilar Chão situa-se numa zona planáltica com o mesmo nome (também designado planalto Castro Vicente) que a nascente termina num vale apertado e profundo por onde corre o rio Sabor. Vilar Chão foi integrado no concelho de Alfândega da Fé em 1855, tendo pertencido anteriormente aos extintos concelhos de Castro Vicente e Chacim. É hoje uma das mais importantes e ricas freguesias do concelho, com uma atividade agrícola e pecuária assinaláveis, bem patente no número de alfaias agrícolas modernas e na existência de uma sala de ordenha, apesar de ser uma zona com pouca água. A cultura de cereais (sobretudo trigo e centeio), hoje em declínio, fez do termo de Vilar Chão um autêntico "celeiro" do concelho e das regiões vizinhas. As origens da localidade transportam-nos ao período suevo e ao despovoamento provocado pela invasão muçulmana. No período medieval foi objecto de repovoamento. Na localidade anexa, Legoinha, (local de interesse turístico) existem vestígios de um castro. A obra do Pe. Belarmino Afonso, "Cerâmica do Distrito de Bragança", refere bem a importância econômica que o fabrico da telha teve em tempos para a freguesia: "Uma fornada de telha vinha equilibrar ou suprir as dívidas de uma má colheita, ou pagar por um filho que foi preciso livrar da tropa. (...) Um bom número de fornos, de que conseguimos notícia, eram da comunidade local. Não admira, pois, que este tipo de atividade artesanal se enquadrasse perfeitamente dentro das banalidades — fornos, moinhos, forja e lagar — da economia medieval agro-pastoril." Mas para além do fabrico da telha, em Vilar Chão, também existiram lagares de azeite comunitários e em finais do século passado, princípios do nosso até uma certa dinâmica na tentativa de exploração de alguns minérios, havendo conhecimento do registro de onze minas entre 1883 e 1911, uma das quais de prata. Em termos patrimoniais a casa da família de Manuel António Ferreira de Aragão (Marechal de Campo e morgado, natural da freguesia) é o mais importante patrimônio de Vilar Chão. Possui brasão e foi construída para solar daquela família em 1760. João Vilares, em "Monografia do Concelho de Afândega da Fé" descreve-o assim: "em campo de ouro quatro palas vermelhas; timbre um touro vermelho saltante com coleira e campaínha ao pescoço; por cima, num dos cantos, uma flecha". A igreja paroquial é antiga e destaca-se pelos seus cinco bonitos altares, bem trabalhados. Tem como parte integrante do seu espólio uma custódia, com decoração barroca. Outro local de interesse patrimonial é a Fonte Limpa, construída em 1796, também de estilo barroco e exemplar único no concelho. Para além de outros aspectos, Vilar Chão destaca-se ainda por uma tradição cultural que tem especiais referências na "arreata dos burros", uma forma diferente de festejar o Carnaval. Na doçaria, são conhecidos os "rochedos", feitos com amêndoa e de excepcional qualidade. “


 Nota do editor :este texto foi-nos enviado pelo Dr. Artur Aragão como a sua contribuição para um melhor conhecimento da região de Alfândega da Fé. Agradecemos o artigo enviado e aguardamos que nos cheguem mais textos,fotografias e documentos de outros alfandeguenses que desejam colaborar. Desde já o nosso obrigado.

BRASÃO

Vilar Chão, Alfãndega da Fé - BRASÃO

Este brasão, que se encontra em Vilar Chão, Alfãndega da Fé, apresenta elmo dextro, não é pleno, em linguagem heráldica, considera-se partido, apresenta um farpão que indicia que não decorre directamente do primogénito e tem simbolizadas apenas e só as armas dos Cabral (as duas figuras) e dos Ferreira (as quatro faixas).
Desde a segunda metade século XVIII que os morgadios foram sendo objecto de atenção por parte do legislador o que culminou com a sua extinção em 1863. A partir desta data, em Portugal as pedras de armas vêem a sua importância circunscrita a um âmbito de preservação da memória já não representando qualquer vínculo como sucedia, de algum modo, até aí.
É assim que tudo aponta para que vários apelidos e famílias possam considerar-se de algum modo ligadas a esta casa em que o brasão se encontra, da actualidade até ao século XVII e tendo em atenção filhos, pais, netos e as vias paterna e materna. Esses nomes de apelido são: Caldeira, Martins, Pimentel, Urze, Tomé, Aragão Cabral, Vilares, Ferreira, Gonçalves, Homem, Ferro, Valente, Fernandes, Carrião, Morais Pimentel, Morais Sarmento e, na linha mais antiga que foi possível apurar no intervalo de tempo acima referido, Damião de Morais, de Castro Vicente, que casa com Maria de Sousa (via paterna); Bernardo Homem, que casa com D. Maria Bernarda de Aragão Cabral, de Chacim (via materna).
Das então vilas e depois aldeias de Castro Vicente e Chacim parece irradiar este fluxo com destino a Vilar Chão, aqui se vindo a radicar as mais das vezes por casamento.
Todas estas famílias estão predominantemente ligadas, no intervalo de tempo considerado e salvo melhor opinião, pelo apelido Morais.
De onde vêm, indo mais fundo, estes Morais? Talvez não seja por acaso que Alexandre José Ferreira de Aragão faleceu em Santo André de Morais e aí foi sepultado, na igreja, em 12.2.1820. Sua esposa, Delfina Inácia, havia falecido nove meses antes em Nossa Senhora da Assunção de Vilar Chão tendo sido sepultada na igreja desta localidade.
 N. BAs pesquisas que conduziram à elaboração deste texto foram feitas em Bragança, nos arquivos Distrital (agradecendo a prontidão do atendimento, que foi presencial) e do Paço (com os agradecimentos ao Dr. Prada pela solicitude e disponibilidade de horário e ao meu amigo de longa data Valdemar de Deus pela colaboração de sempre) e em Alfândega, em arquivo actualmente sob a responsabilidade da Câmara Municipal (com os agradecimentos aos que me conduziram até lá e a quem, de direito, me facultou os antigos livros de registo de propriedades para consulta presencial).
 Vilar Chão, Verão de 2013
Carlos Sambade
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9 comentários:

  1. Apelido Morais!!! Ainda vou ver se são meus parentes.. LOL
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  2. trabalho de investigação rigoroso e de clara leitura.Ficam de uma vez para todas esclarecidas todas as duvidas e usurpações do brasão de Vilar Chão.
    Leitor
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    1. Estes assunto interessa-me apenas como estudioso da genealogia familiar e encontro-me totalmente afastado de quaisquer querelas, mas fiquei muito curioso em saber a que usurpações é que se refere? Se puder esclarecer-me agradecia.
  3. Como já disse em comentário a outro post, não sou versada em estudos heráldicos nem genealógicos , nem de perto nem de longe. Mas gosto muito de ler o que se prende com estas matérias sempre que digam respeito a famílias ou brasões e solares de Trás-os-Montes. Gosto de ler e de aprender.

    Muito agradecida ao amigo Carlos Sambade.
    Júlia Ribeiro
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  4. Pois,interessante investigação...
    Mas pelo menos desde há 150 anos a propriedade é a que consta no registo predial...
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    1. Mais uma vez por mera curiosidade, qual é o nome que consta do registo predial? tanto quanto sei a casa do Brasão está agora na posse de duas ou três famílias...
  5. Carta de Brasão de Armas de 25 de Junho de 1763, atribuida a Alexandre José Ferreira de Aragão Cabral, casado com D. Inácia Maria de Aragão ( primos ), que concedia escudo partido em pala: na primeira as armas dos Cabrais e na segunda as armas dos Aragões. Por timbre o dos Cabrais, que é uma cabra do escudo, e por diferença uma brica de azul com um farpão de ouro.

    A referencia à certidão da Carta de Brasão e a descrição do mesmo, , foi retirada das Memórias Arqueológicas do Distrito de Bragança ( pág 519, Tomo VI ), do Abade de Baçal.

    Noto aqui uma discrepância entre a Carta onde fala nas armas dos Aragões ( de ouro com 4 palas vermelhas ) e a Pedra de Armas que está na casa de Vilar Chão, onde se vêem as armas dos Ferreira ( de vermelho com 4 faixas de ouro ). Alguém me explica?

    Atenção que o Alexandre José Ferreira de Aragão , este casado com D. teresa Delfina Pereira carneiro da Fontoura, que vem referido no texto e que terá falecido em 12/2/1820, é filho do Alexandre a quem foi concedido o Brasão.
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  6. Há diferença entre palas e faixas (heráldica).

    Havia o hábito de casar com primos e compreende-se porquê.

    No meu texto, em vez de Carrião talvez deva ler-se, cruzando com a tradição oral a que tive acesso em data posterior à elaboração e pubicação do mesmo, Jarrião.

    A linha Morais continua, a meu ver, a ser a melhor chave para estabelecer as bases do assunto a que se vem aludindo e que tem que ver com origens e cruzamentos de famílias, na época por assim dizer abastadas, ao menos segundo os parâmetros locais e regionais.
    Terá havido, lá nos primórdios e em Morais, um Estêvão. Já mais recentemente, no século XIX e na casa que ostenta o brasão, também um Estêvão existiu a quem, embora não sendo de grande estatura, chamavam, segundo a tradição ainda viva, Estêvão o Grande.

    Carlos Sambade
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  7. Tanto quanto me é dado saber Manuel de Aragão Cabral, de Celorico da Beira, vem para castro Vicente na 2ª metade do séc XVII e casa com D. Isabel Buiça Pimentel de Miranda do Douro. Um filho destes, de seu nome Bernardo de Aragão Cabral, casa com D. Damiana de Morais e têm um filho de seu nome Alexandre de Aragão Cabral que casa com D. Joana Ferreira nascida em Chacim e que é da casa dos Ferreiras de Bragança. Por sua vez estes têm um filho que é o Damião de Morais falado no texto acima e que casa com Maria de Sousa ( de Vilar Chão ).

    Quanto ao Brasão e à confusão das armas dos Ferreira vs Aragões vou transcrever aqui uma possível explicação que me adiantou o Álvaro Aragão Athayde, ainda meu parente longínquo e também parente destes Aragões de Vilar Chão:

    "Como o escudo é partido desenhar quatro palas originaria uma composição muito inestética e, por isso, as palas foram deitadas, passando a parecer faixas.

    Esta forma de brasonar pode ser considerada menos correcta, mas é corrente (quem disso tenha dúvidas que repare nas bandeiras usadas na Catalunha...)

    É evidente que isto gera confusão entre as armas dos Ferreira e as dos Aragão, confusão que pode ser desfeita observando o timbre, caso exista, ou recorrendo a estudos genealógicos.

    No caso o timbre, que é o dos Cabrais, não é esclarecedor..."

Amelinha de Vilar Chão -Anos 1940

Quem nunca ouviu falar da Santa de Vilar Chão... 


Vejam esta entrevista até ao fim que fala sobre esta história: